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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A dor do que não foi dito


Palavras não são suficientes para expressar um sentimento ou nosso vocabulário é limitado demais? Acho que todo mundo que já amou, seja um amor real, platônico, não correspondido, interrompido, nunca realizado ou teve uma amizade muito profunda por alguém já passou por isso. Muitas vezes só percebemos depois que as pessoas vão embora. E fica aquela sensação que algo não foi dito, que aquelas palavras que ficaram engasgadas entre a mente, o coração e o palato poderiam ter feito alguma diferença. Mesmo que não fizessem.

Mas pessoas vão embora. As coisas acabam, relações se esvaem, paixonites escorrem pelo ralo. E adeuses podem até fazer sentido. E se sentimos com estas idas e vindas, é porque estamos vivos. Como já disse Vinícius de Moraes "a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida." Quantas vezes já fiz a promessa de dizer tudo que sinto, mas simplesmente não saiu. Acontece que na disputa com nossos demônios internos muitas vezes eles vencem, seja por medo de rejeição, por não querer magoar, espírito de preservação, orgulho ou descuido.

E pessoas se vão de muitas formas das nossas vidas, do nosso abraço, da nossa admiração, do nosso estado, do nosso país, ou simplesmente morrem. São pessoas a quem dedicamos um profundo amor e que por conta disso continuam imortais nas boas memórias, e é claro, naquele átimo onde recordamos tudo aquilo que não falamos. E isto claro, nos machuca. Não existe aceitação possível para esta dor que, mesmo amenizada com o tempo, fica lá, guardada em um canto escuro da memória. Uma frase engraçada, uma filosofia de vida, um jeito tão característico, aquela peculiaridade da pessoa sempre irá nos assombrar, e fazer com que percebamos o quanto aquelas palavras fizeram falta. Mesmo que não fizessem.


Euclides Bitelo
Jornalista

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Os Ressentidos da Padoca

Imagem meramente ilustrativa
Hoje ao entrar na padaria para comprar itens para o jantar me deparo com eles. O supergrupo mais deprimente do mundo. Eles são: os Ressentidos da Padoca. Ao contrário de outros grupos que querem fazer o bem, eles se reúnem diariamente neste local para resolverem todos os problemas da cidade, do país, e quiçá do mundo, desde que não tenham que mover sequer a cadeira onde estão sentados, é claro. Entre uma frase de efeito e outra, sempre deixando claro que suas análises nunca passarão do óbvio e de repetições de seus heróis globais (com duplo sentido, por favor), eles tratam o povo como uma entidade distante "quando o povo se revoltar." Mas isso claro não pode ser feito por eles, pois estão acima destes problemas mundanos e mal cheirosos do "povo."

O apelido que dei para o grupo de idosos, tanto na idade como no espírito, deve-se ao profundo ressentimento que eles sentem pela cidade, onde eles reinavam há bem pouco tempo, ter lhes virado às costas. Esse reino maravilhoso e dos sonhos destes velhinhos imberbes e limpinhos tinha eles como donos das informações, no comando da cultura e se beneficiando das benesses políticas, sempre pelas beiradas, é claro, para poder usufruir das alegrias proporcionadas pelos sucessivos governos. Mas como a mamata acabou, restou-lhes a padoca, e toneladas de ressentimento, é claro.

Sabe o que mais me apavora nisso tudo? Estes "senhorinhos" não são uma minoria. E o que me apavora ainda mais? Está cheio de jovens assim na internet, principalmente nas redes sociais. Esses vetustos da minha cidade só arrumaram outro fórum para mostrar sua inerte indignação, mas vemos isso todos os dias. Essa gente que fala mal e repete bordões indignados contra tudo e contra todos, sem ao menos o mínimo interesse em saber mais sobre determinado assunto que estão criticando, ou então de assumirem alguma posição ativa na tentativa de mudar algo que os deixa tão indignados. Nesse ponto até fica mais fácil entender nossos já maturados amigos da padoca, eles são apenas gente reagindo a algo que eles esperavam nunca perder. Mas nada pode ser mais patético do que jovem com cabeça de velho.



Euclides Bitelo
Jornalista

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Acreditar por quê?

Por Charles Dalberto (via blog Capinando)

O que é a Verdade e por onde ela anda.

O senso comum tem respostas prontas.

Mas quando se trata de determinar a verdade com fundamentos aceitáveis pela ciência e pela filosofia, o trabalho é muito mais árduo.

Uma pedra de Sísifo.

O silêncio do inocente julgado diante do tribunal romano, sobre a questão, expressa o respeito à pergunta.







O ceticismo radical pirrônico declara, desde a antiguidade, que nada pode ser conhecido. O que sabemos sobre a realidade são suspeitas frágeis que carecem de sustentação vigorosa e definitiva no intelecto. Por algum tempo se acreditou que Descartes tinha encontrado o ponto de apoio do edifício do saber ao estabelecer o "eu pensante." A razão cartesiana, resultado impregnado de tentativas anteriores por outros pensadores, não resistiu às interrogações. 

Este eu que pensa sou mesmo eu ou uma força que atua em mim, está em mim e me faz pensar o que penso? Este pensamento enquanto operação pura é condicionado ou livre? Mesmo que eu acredite ser uma coisa que pensa independente do corpo, o que garante que esta não é apenas uma projeção que posso fazer somente enquanto a coisa que pensa está no corpo? O ato de pensar cessa com a desagregação do corpo?

Crítico da razão, Schopenhauer defende que o que existe é por força da Vontade. Uma força plena e criadora de tudo, que a tudo dirige independente da vontade humana. É um pessimista. Nietzsche vai em direção semelhante. Freud afirma o inconsciente e por aí vamos. 

Um dos critérios para estabelecer a verdade de sentenças é testá-las.


Esta possibilidade garante sentido a elas. 
Em caso de impossibilidade de teste, as sentenças podem ser coerentes, mas sem sentido porque não há meios de submetê-las à experiência objetiva para verificação ou falseamento. 

Por este caminho a filosofia aplica a lógica na linguagem para identificar o verdadeiro e o falso nas ciências, sejam elas quais forem, e na cultura em geral. 

Há sentido no "penso, logo existo?" Pode ser testado objetivamente e de modo universal? Existo de que maneira e até quando? Até parar de pensar? Isto pode um dia ocorrer? Deixarei de exisitir neste momento? A Vontade universal pode ser medida, identificada? O eterno retorno é perceptível, demonstrável? 

Duras questões.

Espírito 

Hoje há quase 4 milhões de pessoas no Brasil que se dizem espíritas, segundo o IBGE.

Acreditam na existência do espírito, que ele não morre, não para de ser como coisa pensante e conserva sua individualidade consciente, comunica-se com os vivos humanos, experimentam diferentes realidades condicionadas pelo caráter e pelo temperamento do próprio espírito ou seja, são felizes ou tristes conforme o que pensam, sentem e fazem, voltam a viver na Terra como pessoas reais, encarnados, para provar por vias educativas aquilo que os eleva a uma condição maior como seres cósmicos sob uma lei cósmica de amor e harmonia, expressa no âmbito prático pelo Evangelho, e para expiar equívocos contra esta mesma lei, também num processo de reabilitação com propósito pedagógico necessário e justo.

Isto faz sentido do ponto de vista científico?
Pode ser testado objetivamente e universalmente?

Segundo o Espiritismo, os fatos são comprováveis, o que não se duvida. No entanto, não é possível submetê-los às experiências às quais são submetidos metais, por exemplo ou projetos de engenharia ou biologia. A neurociência investe em pesquisas nesta área da mente porque pretende descobrir o que ela é, onde está e como se comporta. A esperança é um dia responder positivamente, o que pode servir ao que diz o kardecismo e outras escolas espiritualistas.

Mas até lá, os critérios para decidir o que é verdadeiro e pode ser considerado conhecimento ou então artigo de fé fundamentado, está na observação dos fatos e relatos e na conclusão por coerência e universalidade dos mesmos.

É o que diz Allan Kardec.

"O erro de todos está em crerem que a fonte do Espiritismo é uma só, e que se baseia na opinião de um só homem: daí a ideia de que poderão arruiná-lo, refutando essa opinião; eles procuram na Terra uma coisa que só achariam no Espaço; essa fonte do Espiritismo não se acha num ponto, mas em toda parte, porque não há lugar em que os Espíritos se não possam se manifestar, em todos os países, nos palácios e nas choupanas."  





Declara ainda:

"Se tudo nesse ensino é bom, racional, pouco importa o nome que toma o Espírito; a esse respeito a questão é de identidade é secundária. [...] É preciso, pois, evitar o deixar-se seduzir pelas aparências, tanto da parte dos Espíritos quanto da dos homens; [...] O Espiritismo repudia, nos limites de que lhe pertence, todo o efeito maravilhoso, isto é, fora das leis na Natureza. [...] Ele amplia, igualmente o domínio da Ciência, e é nisto que ele próprio se torna uma ciência; como, porém, a descoberta dessa nova lei traz consequências morais, o código das consequências faz dele, ao mesmo tempo, uma doutrina filosófica."(KARDEC, Allan. O que é o Espiritismo. FEB. Brasília. 1944. p. 30 - 73- 75)

Afastando-se do dogmatismo, o Espiritismo na visão de Kardec se mostra positivista e em evolução. E aquilo que a doutrina traz é o resumo do que foi encaminhado ao filósofo, cientista e educador francês na sua época e que ele, um intelectual, considerou razoável e verdadeiro sobre o homem no mundo, como pessoa física e biológica e como espírito.


Saberes 

"Asseveram os antigos teólogos e adivinhos que, por determinada expiação, a alma está ligada ao corpo e sepultada nele como num túmulo. Por isso não dominamos certas representações e paixões, assim como também certos atos decorrentes daquelas representações e reflexões [...] existem certos pensamentos mais fortes do que nós." FILOLAU de Cróton, século V a.C.(BORNHEIM, Gerd. Os filósofos pré-socráticos. Ed. Cultrix. São Paulo. p. 87.88


Poderia ser o trecho, também, de um livro espírita. Não sugere ainda o incosciente freudiano?

Mas é um fragmento do pensamento do pitagórico Filolau, filósofo anterior a Sócrates que viveu cerca de 500 anos antes da era Cristã.

Está longe de Kardec.
No tempo.
Não no sentido.

Pelo princípio da universalidade e da coerência que mantém abertas as portas da investigação no Espiritismo, a afirmação de Filolau e de inúmeros outros pensadores não deve ser desprezada. Kardec, atento, sabia disso. O que os espíritos teriam dito, dizem ou dirão pode vir ao encontro ou de encontro com o que se afirma em diferentes épocas nas distintas culturas.

É trabalhoso, porém essencial, separar o joio do trigo.

Se no futuro houver lentes apropriadas que permitam à ciência positiva ver o que se disse e se diz nos domínios da religião e de certas áreas da filosofia, sentenças que agora carecem de sentido e de verdade poderão ser confirmadas ou definitvamente descartadas.

Insubordinadas ao laboratório, ao experimento controlado, hoje elas se ligam à fé.
Então, acreditar por quê?
Cada um que responda.

Kardec, deu sua opinião (O que é o Espiritismo, p. 55) ao dizer que se o Espiritismo for falso, morrerá por si mesmo. Mas se for verdadeiro, não há o que possa torná-lo mentira.

A doutrina cresce.

Para outras matérias acesse o blog do jornalista Charles Dalberto (Capinando)





sábado, 27 de outubro de 2012

Sol, praia, Marimbondo...


      Sempre tive muito azar quando ia à praia com a família  isso quando criança. Vocês vão concordar depois que eu terminar de contar este fato. Veja bem, desconheço alguém que nunca foi picado por um marimbondo (vespa), abelha ou qualquer criatura infeliz deste tipo, durante sua vida. Pois é, até ai tudo bem. Cresci escutando histórias de meu pai que dizia já ter passado abelha até no rosto, só pra tomar ferroada e ficar de atestado em casa. E olha que pelo menos nisso eu acredito nele.

      Eu era do tipo que atraia os tais bichos. Literalmente. Quando não me pegavam desprevenido eu tinha a incrível e instintiva capacidade de achar um ninho deles, dai pra frente eu tinha que cutucar os bichos. Custava deixar quieto quem já tava quieto?? Não. Parece que alguém me instruía a achar os malditos. E outra, era só olhar pros lados que sempre achava uma varinha. Já cuidaram que quando precisamos encontrar alguma coisa geralmente perdemos um bom tempo procurando? Não era o caso. A varinha acompanhava os bichos.
       Só quem já foi ferroado sabe bem como é que dói. Sabe que já por instinto a gente procura evitar chegar perto deles pra não ser apanhado. Não sei por qual motivo não era isso que acontecia comigo. Parece que quanto mais ferroada tomava, mais tinha que cutucar. Estávamos em GUERRA.
       Era boca, rosto, costas, cabeça, mão, pé, tudo quanto é canto esses bichinhos me castigavam. Então, seja lá por vingança, seja por maldade, um dia consegui pegar um deles, pensei: Tu me paga! Arranquei o ferrão dele e fiquei cutucando o bicho até enjoar. Que show hein! Que nada. Olha a vingança que me aprontaram:
      Família na praia, sol, areia e mar, o que mais uma criança poderia querer? Pois é, era tudo alegria, correria e bastante banho, pelo que lembro tinha pouca gente na praia aquele horário. A bexiga apertou! Tinha que tirar água do joelho. Eu tinha o quê, uns 10 ou 11 anos, tirei a pinto pra fora, e pensei: tô nem aí se tem alguém olhando. Quando estava naquele momento de revirar os olhos pra trás de alivio eis que veio o maldito marimbondo, adivinha onde ele acertou... Tivessem me pegado entre uns 15 na cara não teria doido tanto, o gurizinho ficou que nem um balão de tanto que inchou. Veio minha mãe correndo desesperada quando escutou meus gritos na beira da água, achando que eu tinha quebrado pelo menos uma das pernas, tamanho era o desespero. Pelo que lembro depois que sai do Hospital ficou tudo bem. “Tudo” voltou ao normal alguns dias depois.

    Pode até parecer que isso foi tudo um grande acaso, mas eu tenho plena convicção de que foi conspiração dessas criaturas maldosas, incitados por aquele sem ferrão do caramba!
de: Cabeção.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Como criar uma geração de iditotas

Retrato falado da próxima geração
Hoje, dia 12 de outubro é dia das crianças como todos já sabem, e como todos os restaurantes perto de minha casa estavam fechados resolvi ir até o Shopping da cidade para almoçar. 

Sendo dia 15 (segunda-feira) dia do professor, pensei que a maioria das pessoas estariam viajando curtindo o dia das crianças com seus filhos em algum lugar legal neste feriadão prolongado.

Para minha infeliz surpresa o shopping estava lotado, e na hora em que cheguei o shopping abria mais um andar do estacionamento. Na certa também não previam tanta gente num feriado ensolarado.

Hoje faz um bom dia de sol em todo o Rio Grande do Sul. E não faltam lugares bons para se passar o dia das crianças na região metropolitana. Hoje a base aérea de Canoas está apresentando a esquadrilha da fumaça (gratuito), além disso o zoológico de Sapucaia fica bem perto, uns 15 min de carro (em estradas vazias neste feriado), além dos parques.

Só que não!
Os queridos papais corujas lotaram o shopping (com as lojas fechadas) para levar os seus filhos para "passear". 

Achei um lugar na praça de alimentação com alguma demora, e antes de escolher o que iria comer reparei em uma cena: Na mesa em minha frente, uma "mãe" não desgrudava de seu Iphone. Pelo que pude perceber ela estava vendo o Facebook, enquanto uma menininha de aproximadamente 1 ano de idade chorava em um carrinho ao seu lado. Mesmo assim o choro não tirou a atenção que a mãe dava ao celular. Ainda na mesma mesa, um garoto com cerca de 8 anos comia um Big Mac, e depois de comer saiu da mesa caminhando para dentro da multidão sem que a sua "mãe" percebesse.

Juro que pensei em fotografar, mas fiquei com vergonha.
Este caso me lembrou o da modelo Peaches Geldof, que deixou o filho cair do carrinho e mesmo assim não largou o celular.


Outra coisa que reparei, é que TODAS as crianças comiam algo do McDonald's. Nada contra, eu mesmo também como de vez em quando. Mas estas crianças estavam em sua maioria acima do peso.

Me lembro de minha infância, e que no dia das crianças meu pai acordava todo mundo cedo pra ir ao zoológico. Passávamos o dia lá, brincando no sol, ao ar livre! Sempre estávamos com nossos primos e amigos, e isso me fez ter amizades e noção de coletividade.

As crianças que vi hoje não estavam com amigos. Nenhuma brincava. Apenas comiam enquanto os pais podiam ver seus celulares. Nem todos, mas com pais no mínimo preguiçosos desses, a próxima geração será uma geração de idiotas, e a culpa não é das crianças.


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